hélio oiticica
Hélio Oiticica: a dança na minha experiência
A mostra Hélio Oiticica: a dança na minha experiência toma emprestado o título de um texto do artista, publicado em 1965, e tem como ponto de partida o Parangolé, um de seus trabalhos mais radicais. A escolha por essa obra-chave implica examinar a trajetória de Oiticica de maneira retrospectiva, identificando elementos rítmicos, coreográficos, dançantes e performativos em seus trabalhos anteriores – desde os Metaesquemas aos Relevos espaciais, Núcleos, Penetráveis, Bólides e, por fim, os Parangolés.
O projeto de catálogo busca interpretar graficamente alguns aspectos da produção do artista, como o rigor geométrico, a materialidade e o movimento. Os textos são compostos em manchas quadradas, posicionadas em campos opostos de cada página dupla, com o restante do espaço ora em branco, ora preenchido.
O miolo é impresso em três tipos de papel: um papel off-white não revestido para os ensaios críticos, um papel revestido e mais encorpado para a reprodução das obras, e papel-jornal para os interlúdios gráficos. A alternância de papéis, além de proporcionar o suporte mais adequado para cada tipo de conteúdo, também confere ao livro um aspecto tátil e faz referência à diversidade de materiais presente na obra do artista.
A paleta de cores é inspirada na Mangueira, escola de samba determinante na trajetória do artista. O verde e o rosa estão presentes na capa, nas aberturas dos capítulos e em alguns outros elementos gráficos de apoio.
Ricamente ilustrada, esta publicação é atualmente a mais ampla sobre o artista e acompanha uma grande exposição organizada pelo Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), em parceria com o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Masp, 2020
Organização: Adriano Pedrosa, Tomás Toledo
Fotos: Nino Andrés
Prêmio Jabuti – Eixo Produção Editorial/Capa [finalista, 2021]